Bancos agora podem custodiar criptomoedas nos EUA

Em uma decisão que pode mudar completamente o cenário do mercado de criptomoedas no mundo, o órgão regulador bancário dos EUA permitiu o serviço de custódia pelos bancos.

Em uma carta de 22 de julho, assinada pelo vice controlador sênior do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) Jonathan Gould e endereçada para um banco desconhecido é deixado claro que os bancos podem fazer custódia de criptomoedas e até incentiva a digitalização e inovação bancária nessa área.

“A OCC reconhece que, à medida que os mercados financeiros se tornarem cada vez mais tecnológicos, provavelmente haverá uma necessidade crescente de bancos e outros provedores de serviços alavancarem novas tecnologias e formas inovadoras de fornecer serviços tradicionais em nome dos clientes”, diz a carta.

Ela também que os bancos “talvez ofereçam um serviço de custódia mais seguro comparado a soluções existentes” e que os investidores talvez desejem guardar as chaves criptográficas com custodiantes regulamentados.

“Reafirma a posição da OCC de que os bancos nacionais podem fornecer serviços bancários permitidos a qualquer negócio legal que escolherem, incluindo negócios de criptomoeda, desde que gerenciem efetivamente os riscos e cumpram a lei aplicável”.

Apesar das criptomoedas terem sido criadas para dar independência e posse do próprio dinheiro para seus portadores, boa parte das moedas ficam guardadas com custodiantes.

Só as carteiras das corretoras Binance e Huobi somam mais de 300 mil bitcoins:

Bancos já estão investindo no mercado, mas silenciosamente:

O anúncio acontece após a aproximação de grandes bancos com o mercado de criptomoedas. No começo do ano foi vazado que o JP Morgan estava trabalhando em conjunto com a Gemini, exchange de criptomoedas dos irmãos Winklevoss.

Há menos de um ano vimos o banco semi estatal francês Bpifrance investir US$8 milhões na empresa ACINQ, responsável por criar soluções para a segunda camada do Bitcoin – a  Lightning Network.

Os bancos têm capital para entrar e mudar completamente o mercado de criptomoedas. Podemos imaginar que futuramente seu banco também faça o staking de algumas moedas, enquanto permite o uso de bitcoin e real.

Entretanto, aparentemente o avanço do setor bancário no mercado de criptomoedas não tem se extendido a todos os lugares. No Brasil, apenas o Banco Plural e o BTG parecem trabalhar para se aproximar da nova economia. Com o BTG usando o blockchain da Tezos para emissão de dívidas e o Banco Plural permitindo o uso de sua API a diferentes exchanges.

Há também exchanges que querem se transformar em banco, é o caso da Coinbase nos Estados Unidos e do Mercado Bitcoin no Brasil, ambas já anunciaram publicamente essa intenção.

Enquanto isso, Caixa, Itaú, BB e Bradesco continuam a fechar contas de exchanges de criptomoedas no Brasil, sem justificativa e às vezes ilegalmente. 

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