Distribuição Linux brasileira usava mineração de Bitcoin para se financiar

O mundo do Linux e o das criptomoedas andam juntos e compartilham valores que vão desde a ideia de liberdade até o modelo de captação de recursos. Pensando nisso, uma distribuição brasileira tentou inovar integrando esses dois mundos.

XiVa Studio a distro dos artistas e mineradores?

A XiVa Studio é uma distribuição brasileira focada em design, gráficos e edição de áudio. Poucas pessoas sabem, mas o Linux tem ferramentas poderosas de edição, contando com o poderoso Blender que é usado em Hollywood para fazer filmes e animações, até o Kdenlive para edições mais caseiras. A suite de edição também conta com o “Photoshop open-source” chamado Gimp; o Inkscape para retoques em imagens, sintetizadores e editores de som avançados e ferramentas de publicação como Scribus, Calibre e LibreOffice.

Enfim, o Linux é o paraíso para artistas que amam a liberdade e foi pensando neles que o XiVa Studio foi criado. O projeto compete diretamente com distros Linux tradicionais na área de artística, como o Ubuntu Studio, que conta até com um kernel personalizado.

Barnabé di Kartola, um dos desenvolvedores do projeto, afirmou que para ajudar a financiar servidores e domínios foi criado um software para mineração de criptomoedas. 

“Eu fiz todo um estudo sobre mineração, escrevi um programa que minera MUITO pouco e fiz todas as medições elétricas (junto com um engenheiro elétrico)”, afirmou Barnabé em um grupo de Telegram.

O projeto descreve o funcionamento do programa de mineração:

“Quando seu computador estiver ocioso, o programa de contribuição vai minerar só um pouquinho de criptomoedas, utilizando no máximo 10% do seu processador. Quando o computador estiver em uso o programa de contribuição vai automaticamente reduzindo a mineração, parando completamente de minerar quando está fazendo qualquer tipo de operação que exija performance do seu computador.”

Xiva.org

Entretanto, muitos usuários tinham dúvidas sobre a mineração de bitcoin em seus computadores e viam com desconfiança esse tipo de software: até mesmo em um review do maior canal de Linux do Brasil, o DioLinux, essa ideia foi criticada.

“Acho que talvez precise de uma explicação mais aprofundada sobre mineração, porque vejo que todo mundo “surta” quando ouve falar disso”

, declarou Barnabé no Telegram ao discutir sobre mineração com um usuário

Como resultado, a mineração de bitcoin foi desativada nas novas versões do XiVa. Ao ser perguntado sobre o processo de mineração para ajudar o projeto, di Kartola respondeu:

“Como forma de colaborar com o projeto, não mais, foi descontinuada, […] agora p/ vc mesmo, sim claro!” (sic)

❤ Bitcoin e Linux

Não foi a primeira vez que as criptomoedas e distribuições Linux se uniram. O Linux Mint, uma das melhores distribuições Linux para usuários inciantes, já tentou criar sua própria criptomoeda e até hoje ainda aceita doações em Monero, Bitcoin Cash, Bitcoin, Litecoin e Ether – tendo recebido mais de 4 btcs.

Já os bitcoiners copiaram parte do modelo de financiamento da Linux Foundation e até hoje usam listas de e-mails da LinuxFoundation.org. Além disso, a filosofia de software livre permeia as duas comunidades e realmente dá liberdade para ambas.

O Linux, assim como o Bitcoin, teve origens humildes. Em 1992, um estudante finlandês em difícil situação financeira, chamado Linus Trovalds soltava em um newsgroup nerd a primeira versão do Kernel Linux. Hoje, 28 anos depois o Linux corresponde a 85% do mercado de smarphones, 95% dos servidores no mundo e 100% dos super computadores.

Acredito que futuramente veremos integrações ainda maiores entre as distribuições Linux e o mercado de criptomoedas. E quem sabe o XiVa volte com o suporte a mineração redesenhado para ajudar o projeto? Talvez com melhores tutoriais e uma cripto desenhada para ser minerada em computadores caseiros? 

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